O futuro pessoal e do trabalho pós-pandemia – especialista comenta assunto e dá dicas de como enfrentar a crise

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A pandemia do novo Coronavírus mudou a vida das pessoas de todo o planeta. As relações mudaram completamente, e hábitos precisaram tomar um novo corpo: as pessoas tiveram que ser obrigadas a se distanciar e tomar medidas como usar máscaras, álcool em gel, e ter cuidados além do que já é comum para não ficar doente.

E outro ponto importantíssimo é que em muitos casos mudaram completamente: o trabalho, por exemplo. Em sua maioria, foi interrompido e criou-se uma regra no início da pandemia: apenas os essenciais poderiam continuar as atividades e agora é possível ver um relaxamento mais expressivo, com o comércio abrindo em horários alternativos, restaurantes, shoppings e bares, o que permite neste momento um espaço para o pensamento: o que será do futuro pós-pandemia?



O PROFISSIONAL AFETADO, MAS COM PERSPECTIVAS POSITIVAS

Michele Crevelaro é especialista no ramo da psicologia há quase 10 anos e um dos seus focos é o uso da boa gestão dos Recursos Humanos do ambiente de trabalho.

O Portal WI Empregos conversou com a Psicóloga, Orientadora Profissional e Facilitadora de Grupos Michele Crevelaro, que aceitou o desafio de tentar responder essa pergunta que parece ser a ‘que vale 1 milhão de reais’. Ela acredita que a situação em que o mundo está atualmente enfrentando pode ser encarado como um desafio e que isso pode gerar um patamar de visões positivas, mas faz um alerta:

“Há também desafios que dão medo e paralisam. Afinal, nem toda pessoa tem repertório suficiente para lidar com a crise global instalada e está tudo bem. Estamos aprendendo juntos. Assim, o lugar de escrita que cabe neste texto é o do não saber e do que posso fazer. […] Lembrar, se possível, do que você precisa fazer hoje, no tempo presente, que é o momento que nos cabe no agora, pode ajudar a sair da angústia do pensar fixamente no futuro”, disse.

A psicóloga sugere que as pessoas façam quatro perguntas para encarar o momento, e que podem estar atreladas tanto na vida pessoal e na profissional:

– Serão obstáculos ou oportunidades?

– Que tipo de ajuda você precisa neste momento?

– A quem você pode recorrer?

– Como você pode construir um futuro com poucos dados concretos?

Michele ainda propõe alguns cenários para pensar num mundo durante e depois da crise:

– O que posso fazer agora;

– O que posso fazer quando começarem a flexibilizar o isolamento;

– Depois da reabertura total, que realidade posso esperar;

– Como me preparar para tudo isso.

Um dos principais assuntos durante a quarentena que foi muito debatido é o do chamado “home office” ou trabalho remoto, que foi possível em várias áreas, além de quebrar um tabu, já que muitas pessoas não acreditavam que trabalhar em casa daria certo e que pode acabar virando tendência quando a Covid-19 passar: uma pesquisa da ESG com a parceria da Dell EMC, consultou mil empresários no ramo de TI e constatou que pode haver um crescimento de 30% nessa modalidade de trabalho. Para a Psicóloga, esta já é uma página virada no mundo do trabalho e que é um tipo de serviço que se tornou viável e que para se fazer dar certo, a sincronia do chefe com o funcionário deve estar “online” e que é preciso bastante foco:

“A partir do momento que estamos trabalhando fisicamente isolados, a autogestão se faz necessária para continuar as entregas da rotina e de projetos. Caso você tenha dificuldade em priorizar o que deve ser feito e como deve ser entregue, é importante que você converse com o seu gestor, o quanto antes. Estamos em um momento de aprendizado coletivo, e ter esse tipo de conversa faz parte deste processo”, completa Michele.

O fator da dinâmica profissional e pessoal é outro ponto que a Psicóloga e Orientadora Profissional ressalta.  Segundo ela, fundir casa e trabalho, apesar de estarem no mesmo ambiente, pode causar um certo nível de ansiedade e uma ilusão do que pode e o que não pode ser feito. O certo, conta Michele, é fazer um local fixo que seja dedicado especialmente para as atividades laborais e que esse espaço ajuda a dar uma sensação psicológica do chamado “momento do trabalho”.



O LADO PESSOAL DURANTE A PANDEMIA

Crevelaro elencou algumas características que apareceram como essenciais dar uma devida preocupação e fazer uma análise do que ajuda e atrapalha em um momento como o atual.

Autoconhecimento – praticar o exercício da autoanálise. Fazer auto avaliações constantes, buscar avaliações de pares, superiores e amigos. Precisamos nos acostumar aos feedbacks em tempo real. Esse mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo) pede de nós ação, ou seja, se tentar e errar, corrigir a rota rapidamente e principalmente, aprender com o erro.

Inteligência emocional – saber reconhecer suas próprias emoções e dos outros, escutar genuinamente, aprender a lidar com essas emoções: positivas e negativas e encontrar coragem na vulnerabilidade. Tudo isso, faz parte da Inteligência Emocional, apontada como uma das principais competências do futuro.

Assertividade na comunicação – no online perdemos a conexão rapidamente. Não temos a presença física, que nos ajuda a criar um campo de conexão. Prepare-se para participar deste mundo virtual, escutando as suas necessidades também. Que tipo de conexão você consegue estabelecer com essas pessoas no virtual? Como se preparar para não perder a atenção? Aqui é desconectar para se conectar com uma tela, cheia de outros seres humanos, que merecem e honram pela sua atenção.

Só sei que nada sei – O quão confortável você fica com a situação do não saber? De não ter as respostas para tudo? De construir um futuro com bases muito frágeis?

De certa maneira, fomos criados para termos resposta para tudo. Todo o sistema de recompensa da escola até a organização é baseado na resposta certa, ao encarar o erro como fracasso e não tentativa de acerto.

De todas, essa é a mudança de modelo mental mais necessária e mais difícil, abrir espaço na mente e no coração para o NÃO SEI, VOU PENSAR, VOU PEGUNTAR PARA ALGUÉM QUE SABE MAIS DO QUE EU. A abertura desse espaço, muitas vezes, pode doer na alma e no ego, mas abre espaço para a colaboração, que é muito mais satisfatória e perene.

Aprendizado contínuo – Ainda em linha com o nada sei, o aprendizado ocorre por toda a vida e não apenas em um período escolar específico. O adulto aprende, principalmente, através de experiências práticas, pelo entendimento da real necessidade do conhecimento e pela motivação em aprender algo relevante que pode ser aplicado, entre outros fatores apontados pela andragogia.

Ainda existe uma percepção de que investimento no desenvolvimento, necessariamente envolve dinheiro e em parte isso é verdade, há ações que precisam de investimento financeiro. Porém, há outras ações que podem ser facilmente desenvolvidas sem custo direto, com investimento de tempo e dedicação.

Você pode buscar conhecimento por meio da aprendizagem informal, que é um modelo não institucional e não programado. É o aprendizado conforme a necessidade ou demanda com enfoque na troca de experiências. Exemplos da aprendizagem informal são participações em reuniões, participação em projetos, podcasts, leitura de livros e artigos, comunidades de prática, observação de outras pessoas, entre outros […]. É importante ter foco na aprendizagem e entender o que se espera como resultado daquela ação. Por isso, tenha clareza dos objetivos de desenvolvimento e resultados que se quer alcançar para não se sobrecarregar com temas que podem esperar mais um pouco. Foco e acompanhamento destes objetivos são fundamentais.